“Tem sido um trabalho árduo.”

Quer você queria ou não: Tokio Hotel está de volta – e eles estão para ficar. Os gêmeos idênticos, Bill e Tom Kaulitz, falam sobre seu grau universitário verdadeiro, escolha do casting, drogas e AC/DC.

Tem sido, por um longo tempo, um clima calmo em torno de Tokio Hotel. Foram mais de sete anos desde seu single “Monsoon”, deixando adolescentes em êxtase, forçando colunistas a fazer uma análise maravilhosa. Bill Kaulitz, andrógino com cabelos loucos e seu irmão Tom, dez minutos mais velho e gêmeo idêntico, tornaram-se posters em quartos de adolescentes alemães aos quinze anos e venderam milhões de discos. Nos últimos anos, porém, tem sido tranqüilo em torno dos gêmeos Kaulitz, que se mudaram para Los Angeles. Agora, aos vinte e três anos, os gêmeos retornam como jurados no “Deutschland sucht den Superstar” (DSDS) do RTL. A filmagem acontece em Bad Driburg, localizado em Vestfália, em um hotel de classe superior. Na frente das janelas da sala de conferência, alguns de seus fãs entre 17 ou 18 anos de idade estão em volta. Privilegiadas, o velho dilema de estrelas jovens une-se à mesa: os meninos são muito velhos para serem abraçados e muito jovens para imporem respeito. Você não quer puxar sua perna, nem colocá-los em seu colo.

SZ: Tem sido um longo tempo desde a última vez que ouvimos o Tokio Hotel.
Bill: Eu acho que a pausa foi sentida ainda mais para o público alemão. Depois do nosso último álbum, fizemos uma grande turnê pela América do Sul e Japão, depois queríamos apenas viver um pouco.

SZ: O que “apenas viver um pouco” significa para alguém que vive em estado de alerta desde os 15 anos de idade?
Bill: Nós gastamos muito tempo com a nossa família e com nossos 4 cães.
Tom: Foi uma grande mudança para nós. Quando se está em turnê com a banda, nós temos uma grande equipe junto conosco, e eu posso chamá-los para tudo que eu precisar, a qualquer momento. Agora, tenho que cuidar de mim e das coisas que inclui, coisas que nunca tive que lidar por mim mesmo antes. Eu tive algumas situações esmagadoras, mas eu não gostaria que fosse de outra forma.

SZ: Por exemplo?
Tom: Não sei, por exemplo, eu fui solicitar minha licença de motorista na Califórnia, em Los Angeles. E pensei comigo mesmo: Você tem que esperar algum acordo de merda por um tempo tão longo? Você fica esperando por um dia inteiro apenas para tirar uma foto sua?

SZ: Los Angeles é sua residência permanente agora?
Bill: Nós passamos muito tempo nos EUA, porque temos trabalhado muito em nosso novo álbum nos últimos dois anos e também podemos ter alguma privacidade. Mas também temos uma casa na Alemanha, e algumas de nossas sessões de gravações também têm lugar aqui. Os outros dois rapazes ainda vivem na Alemanha.

Além de Bill e Tom, Tokio Hotel também é composto por outros dois rapazes – publicamente negligenciados – os membros que se encaixam com eles como folhas em torno de flores, cujos os nomes e instrumentos são (Georg – baixista e Gustav – bateria) são escritos entre parênteses quando Tokio Hotel está acompanhado pela imprensa. Enquanto os gêmeos foram aos Estados Unidos, os dois tinham que acabar com os rumores sobre o fim da banda.

SZ: Depois de uma longa pausa, vocês sentem a pressão ainda mais do que antes?
Bill: Nosso segundo álbum, provavelmente, foi o pior. Quando começamos, éramos o single nº1, seguido por álbum nº1. Quando isso acabou, foram utilizados para sucesso permanente. Tudo depois tinha que ser pior, a imprensa estava apenas esperando que nós falhássemos e não fossemos o nº1 imediatamente para começar a escrever que, agora, tudo tinha acabado.

SZ: A maioria de seus primeiros fãs, agora estão crescendo e ouvindo músicas diferentes. Isso não é um problema?
Bill: Não há nada que possamos fazer sobre isso. Mas nós não nos sentamos no estúdio pensando que não há ninguém. Isso deveria ser apreciado por garotas de 15 anos ou uma mulher de 46 anos anos?
Tom: Ontem eu assisti um show do AC/DC na TV. Olhar para aquela multidão, é totalmente confuso. Tinha os que já eram fãs desde quando Bon Scott ainda estava cantando e do mesmo lado, tinha aquelas que só descobriram eles por ouvir a trilha sonora de “Iron Man”. É assim que eu gostaria que fosse.

SZ: Mas vocês não são AC/DC. Eles trabalharam durante várias décadas para chegarem ao topo, vocês chegaram lá durante a noite.
Tom: Claro, mas o que aconteceu com outras bandas que conseguiram ficar bem sucedidos também? Depeche Mode foram chamados de boyband no inicio, totalmente chato para os garotos ouvirem. Hoje quase ninguém se lembra disso.

Durante seu auge, durante 2005 e 2010, o Tokio Hotel foi amado e adorado por seus fãs, assim como foram ridicularizados e odiados pelo resto do país. Bill Kaulitz tem o primeiro lugar no Pro7 com “100 alemães mais irritantes” e FHM repetidamente listou ele no ranking de “mulheres mais feias”. Ao mesmo tempo, o cantor teve sessões de fotos com Karl Lagerfeld e a banda foi perseguida por fãs obsessivos. Ninguém poderia acusar a banda e todos os alemães tiveram uma reação automática quando seu nome era mencionado, poderia ser qualquer coisa, mas nunca indiferente. Em retrospectiva, este pode ter sido seu sucesso mais duradouro: pop para polarizar o público.

SZ: Como vocês se sentem sobre Tokio Hotel ser mais reconhecido como uma linha divisória de gostos do que como uma banda séria?
Bill: Você sabe, você realmente não pode controlar essas coisas. Eles fizeram uma pesquisa sobre o nosso último álbum, alguns caras da TV correram ao redor da cidade com fones de ouvido e tocaram nossas músicas para pedestres. Alguns disseram “isso é muito legal” no inicio, mas quando disseram que eles tinham escutado Tokio Hotel, mudaram de opinião imediatamente e disseram que não gostaram nada disso.

SZ: Você sempre foi polarizado desde o seu primeiro sucesso, desde sua juventude. Às vezes você gostaria de já ter crescido antes de experimentar tudo isso?
Bill: Por um lado eu acho que, se eu pudesse voltar a minha vida, eu iria fazê-la de forma diferente e, talvez, esperar mais alguns anos. Por outro lado, não importa o quanto seu dia foi uma merda, não importa se há uma cara com uma câmera, não importa se há algumas coisas particulares nos jornais novamente. Eu sou grato porque sou capaz de fazer tudo que faço. Teria sido aterrorizante para mim fazer outra coisa, eu nasci para isso.

Eu acredito neles. Ambos parecem ser mais abertos e despreocupados do que seria de se esperar, considerando seu relacionamento de amor e ódio com o publico. Eles também parecem menos infantis do que poderiam sugerir. Tom com seus dreadlocks ainda parece um menino. Com Bill é obviamente claro: anéis, barba de três dias em um rosto de porcelana, cabelos brancos para cima e em sua mão esquerda uma tatuagem em estilo esquelético. No ano que vem, ele vai ser o astro excêntrico, mas superstar consciente ou estilo de formação do futuro: tatuado, com piercing e o assustador pouco saudável de ontem. Como ele será visto só vai ser decidido pelo sucesso de seu quarto álbum, que está previsto para ser lançado em 2013. Mas pode ter certeza, estas são as únicas opções, não haverá meio termo.

SZ: Supondo que o retorno não aconteça, qual é o plano b?
Tom: Em qualquer caso, eu não posso imaginar ninguém me dizendo o que fazer e por quem. Aposentar por alguns anos, escrever canções para outros artistas, trabalhando em segundo plano, eu poderia imaginar isso, mas nada mais.
Bill: Você está certo, eu também não iria sobreviver apenas trabalhando em qualquer lugar. Eu sempre tive problemas com superiores e autoridades, eu sempre odiei isso.

SZ: Você ainda tem contato com pessoas do seu passado?
Bill: Nós ainda conhecemos alguns velhos amigos, um deles ainda é o nosso melhor amigo.
Tom: Nós conversamos sobre, talvez, aparecer em uma reunião na escola. Eu provavelmente iria.
Bill: Eu não sei. Esses caras realmente nunca tiveram grandes sonhos, eles eram mais sobre assumir as empresas de seus pais ou se tornarem veterinários ou agricultores.

SZ: Se você não se pode imaginar vivendo uma vida “normal”, porquê você terminou o sua formação universitária 3 anos atrás?
Tom: Às vezes me pergunto a mesma coisa.
Bill: Nós fizemos isso por causa da nossa mãe. Estávamos no 10º ano no “ginásio”, quando abandonamos a escola pela banda, estão nós realmente já tínhamos aprendido tudo o que precisávamos para a formação universitária. Nós só fizemos isso por causa dela. Você realmente não pode fazer nada com ele.

SZ: Para o quê exatamente?
Bill: Às vezes eu penso na ideia de ter aulas de design de moda. Apenas por diversão.

SZ: Ser uma celebridade no campus. Você está com medo sobre o fato de que uma vida universitária normal seria impossivel para você?
Bill: É verdade, eu realmente não tenho liberdade de sair e passear no parque, mas artisticamente falando, eu posso fazer o que eu quero. Esse é o fato mais importante para mim, ao qual sou mais grato. Mesmo com 15 anos, nós já tínhamos começado a lutar por isso com vigor. Hoje, eu sou meu próprio patrão, até mesmo a gravadora não pode nos dizer muito, mas é claro que há coisas vida que nos arrasta para baixo e quebra cada um de nós de alguma forma. Eu sou meio paranoico as vezes.

SZ: Paranóico?
Tom: Quando começamos, não tínhamos ideia que tudo o que dizíamos poderia ser usado contra nós pela imprensa de forma brutal. Estávamos realmente chocados depois de ler as primeiras manchetes quando tínhamos 15 anos.

Mais do que qualquer outro, o jornal alemão “Bild-Zeitung” acompanhou intensamente a carreira da banda. Mesmo durante os últimos dois anos mais tranquilos, os irmãos Kaulitz foram manchetes com certa regularidade, considerando por exemplo o “estilo de festas pesadas” “drogas ilícitas: desconhecido! álcool: sempre!”, considerando a sua independência financeira: “Tokio Hotel devem ser jurados do ‘Deutschland sucht den Superstar’ por um salário de 1,2 milhões de Euros e recusou a oferta.”. Considerando o pai dos gêmeos, que lamentou sobre “fama e dinheiro” que o deixou distante da família, eles não gostam de falar sobre ele.

SZ: Vocês se acostumam com essas manchetes?
Bill: Nós estamos bastante confortáveis agora. Eles cobriram tudo já, drogas, anorexia, depressão. Agora eu estou certo de que as maioria das pessoas vai saber por si só que é besteira.
Tom: Eu sinto muito pela minha avó. Às vezes ela ainda me pergunta se uma coisa é verdade ou não.

SZ: O seu novo trabalho como jurado não vai reduzir a cobertura da imprensa?
Bill: Em algum ponto você acaba aceitando isso. Nós nem mesmo comentamos mais sobre as manchetes, porque nós não queremos lidar com elas. Isso não mudaria nada mesmo.

SZ: Mas vocês não poderiam viver sem as manchetes, poderiam?
Tom: É uma visão de fora, não é: agora eles precisam de uma promoção para seu novo álbum. Mas nós não vendemos mais um record só porque alguém escreveu que Bill era anoréxico. Uma revista francesa até escreveu que ele tinha se matado.
Bill: Você está certo, me lembro disso.
Tom: Por dois dias, pessoas da França falaram, porque pensaram que você tinha saltado pela janela.

Eles simplesmente não iriam falar com a imprensa mais, Bill disse durante a conversa. Mas ainda assim, enquanto as filmagens do DSDS continuavam, várias entrevistas, histórias e sessões de fotos seriam publicados pela Bild, Bunte e outros. Quando solicitado a sua gestão para uma declaração mais tarde, eles responderam: “Porquê a imprensa vai cobrir o DSDS e a participação de Bill e Tom, com ou sem a nossa cooperação, nós fornecemos para algumas revistas escolhidas com declarações de vez em quando. Desta forma, os irmãos estão tentando encontrar um equilíbrio e adicionar alguma base sólida para as histórias sobre eles”, claramente falando: se temos de lidar com besteira, nós pelo menos, queremos controlar as coisas.

SZ: Vocês foram candidatos para um casting uma vez?
Bill: Apenas eu, isso há 10 anos atrás. A diferença entre nós e os outros candidatos do casting é que começamos a fazer música quando tínhamos sete anos de idade. Foi tudo um trabalho duro. Agora, eu vejo um monte de pessoas que só querem estar na TV, independentemente do seu talento.
Tom: Especialmente nos EUA, tem a diferença entre ser famoso por causa do que você pode fazer, e ser famoso por ser estúpido.

SZ: Você acha que aqui é diferente?
Tom: Felizmente, nós sempre fomos capazes de ganhar a vida fazendo música, enquanto nós podermos fazer isso, eu posso viver com a imprensa publicando besteira.

Texto traduzido por Dessa. Se copiar, dê os devidos créditos ao THBR e à tradutora.

1 Comentário Adicione o Seu

  1. Larissa

    Parabéns Dessa!! Ficou ótimo!! Traduzir tudo não é fácil, haha! Parabéns :3

    Reply

Deixe um comentário