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Às vezes nossas brigas extrapolam.
Entrevistamos Tokio Hotel em Los Angeles

Biil e Tom Kaulitz – dois nomes que encarnavam a histeria adolescente e as fantasias sexuais pré-puberes da sua então geração, e a maioria das vezes, de mulheres emo a partir de meados dos anos 00s, embora o gênero emo ainda nem existisse. Com sua banda, Tokio Hotel, os gêmeos idênticos subiram nas playlists europeias sem dar voltas, após deixar a escola e sua província, perto de Magdeburgo. E assim apareciam em várias colunas de fofocas nas revistas, por pelo menos uma vez por semana, depois que sua carreira decolou. Em 2010 puseram um fim a tudo isso: eles se retiraram para o anonimato em Los Angeles. Longe da Alemanha, e de seus fãs. E dos meios de comunicação. Uma grande mudança após realizar tanto após chegar ao sucesso. E tudo aconteceu antes que eles fossem maiores de idade. Com seu novo álbum “Kings Of Suburbia” Tokio Hotel está de volta ao centro das atenções. Bill e Tom Kaulitz – os dois irmãos, agora estão com 25 anos.

INDIE: “Por que a longa pausa e por que se mudaram para LA?”
Bill: Nós simplesmente não queríamos mais ser o centro das atenções. Tom pensava o mesmo – e por um tempo – não tive certeza se ele ainda queria estar na banda… ele me pediu para procurar um novo guitarrista. Ele continuaria trabalhando com a gente no estúdio, mas não queria mais ser o centro das atenções.
Tom: Fomos manchete na Alemanha. E acabamos na primeira página de várias revistas que falavam sobre coisas particulares – simplesmente não havia um equilíbrio: Nós não éramos manchete por causa de nossa música, mas sim por tudo o que fazíamos ou deixávamos de fazer no nosso tempo livre. Esse foi o ponto que me fez desistir – eu quis sair. Nenhum de nós queria continuar naquelas circunstâncias.
Bill: Além disso, eu não sabia sobre o que eu queria escrever, depois do último álbum que lançamos; e também já havíamos falado sobre tudo nas nossas canções anteriores. Era hora de ter a nossa privacidade de volta, o que não foi possível na Alemanha. Tudo estava completamente fora de controle. Em algum momento, nós começamos a fugir de nossa própria carreira e eu não queria mais ter nada a ver com o Tokio Hotel. O plano era ter tudo sob controle primeiro e depois pensar em lançar um novo álbum.

INDIE: “Um novo começo aos 21 anos, em uma cidade onde vocês não conhecem ninguém, depois de serem seguidos por todos os lugares por groupies – Do que é que vocês gostam de verdade sobre ter uma vida privada?”
Bill: Eu estava abafado, queria poder fazer coisas normais – como ir para um café em algum lugar ou simplesmente ir ao supermercado e encher a geladeira com alimentos. Depois de deixar a escola aos 15 anos de idade, não fomos mais capazes de fazer essas coisas. Esta é a primeira vez que tenho uma vida privada, sou um adulto com vida real, depois que a nossa carreira decolou. No começo foi muito estranho, porque não estávamos acostumados, mas depois começou a ser divertido para nós, especialmente quando percebemos que poderiamos desaparecer em Los Angeles, porque ninguém sabe que estamos aqui. Eu era apenas uma das muitas pessoas que passavam pela rua. Antes, era Tokio Hotel 24/7. Hoje nós encontramos um equilíbrio. Temos uma vida privada e Tokio Hotel existe apenas quando trabalhamos. Acho que nunca estive tão equilibrado como agora. Nós tivemos tempo para nos questionar e descobrir quem somos com essa vida privada – o que gostamos ou não gostamos e o que somos. Temos passatempos, que antes não tinhamos. Se você não crescer e se desenvolver como pessoa, não vai fazer nenhuma dessas coisas quando você for um artista também. Olhando para trás, a pausa não foi apenas benéfica para a banda, mas também para nós como pessoas. Não podíamos mais continuar.

INDIE: “Sua base recém-escolhida, Los Angeles, parece ter tido uma grande influência sobre o novo álbum, uma vez que não estavam em Magdeburg.”
Bill: Claro que não. Quando penso em Magdeburg, hoje, fico horrorizado. É uma cidade muito deprimente. Mas na realidade tem pouco a ver com o álbum. Na verdade, é o oposto de mim: eu tenho que dizer que eu acho que LA é muito chata. Tudo acontece cedo; os clubes fecham às duas horas – a vida noturna na Europa é muito mais emocionante. O álbum reflete o nosso próprio sentido de vida privada com o luxo de anonimato.

INDIE: “É mais fácil ou mais difícil ao longo do tempo, fazer música com o irmão?”
Bill: Continua igual. Mas devo dizer que nós não temos uma simples conexão de irmãos, nós somos gêmeos idênticos. É difícil explicar aos outros que não são/tem irmãos, mas na realidade nós somos a mesma pessoa em vários aspectos. Nós vivemos juntos e passamos cada dia dos últimos cinco anos juntos, mesmo sem o Tokio Hotel.
Tom: a questão de uma pausa entre nós nem é cogitada. Nós fazemos tudo juntos e sabemos tudo um sobre o outro – somos basicamente uma única pessoa. Mesmo eu sendo o mais amigável de nós dois.

INDIE: “Vocês vivem juntos – qual dos dois é responsável por lavar os pratos?”
Bill: nenhum de nós, somos preguiçosos. A maior parte do tempo nós esperamos que a empregada faça isso por nós. Mas se tem alguma coisa que precisamos fazer – como tarefas – nós também as fazemos juntas.
Tom: Mas sou eu sempre que dirijo. Bill nunca dirige. Estou sempre dirigindo, o que é bom – é como tem que ser. Quando vou no banco do passageiro, tenho ânsia. Eu não gosto de ir no banco do passageiro. Eu amo dirigir carros, eu amo pilotar motocicletas e eu terei que me acostumar com alguém dirigindo para nós de novo quando voltarmos com os shows. Inclusive, eu preferiria dirigir o ônibus da turnê.

INDIE: “Então não existe atrito entre vocês?”
Bill: Muito raramente. É como se nunca brigássemos. Mas quando brigamos, aí o clima fica tenso, porque não somos do tipo de pessoa que fica amargando as coisas para sempre. A conexão entre irmãos gêmeos é um pouco mais forte do que entre apenas irmãos. E nós não conhecemos outro jeito (de ser). Nós partilhamos nossas experiências um com o outro. Não há nada hipoteticamente que o Tom não saiba sobre o meu dia, porque ele estava ali e me viu. Vivemos uma vida completamente idêntica.

INDIE: “Qual é o tema mais frequente das discussões?”
Tom: Depende da situação; a maioria das vezes é sobre o trabalho. Raramente brigamos sobre nós mesmos. O bom de nossas brigas é que conheço Bill por dentro e por fora, e por isso, posso provoca-lo até que o pau quebre. Ninguém consegue provoca-lo tanto quanto eu, e por outro lado, ninguém me provoca tanto quanto ele. Quando brigamos, chegamos às vias de fato, e acaba sendo tão forte e intenso, que as outras pessoas saem de perto, com a cara vermelha de vergonha.
Bill: As pessoas então costumam perguntar como conseguimos olhar nos olhos um do outro, depois de uma briga assim… mas após alguns minutos, tudo está esquecido.

Texto traduzido por Sandra. Se copiar, dê os devidos créditos ao THBR e à tradutora.

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