O Tokio Hotel, que possui os mais famosos gêmeos da Alemanha, Bill e Tom Kaulitz, voltou com seu quinto álbum lançado em 3 de março. A banda conversa com DW sobre “Dream Machine” e as eleições dos EUA.

DW: O quinto álbum de vocês se chama “Dream Machine”. Com o que o Tokio Hotel sonha em 2017?

Bill Kaulitz: No momento, sentimos que estamos inventando nossa própria máquina de sonhos, fazendo apenas o que realmente queremos. Nós realmente gostamos dessa produção e terminamos nosso álbum dos sonhos. E com a nossa turnê, também estamos criando nosso próprio mundo dos sonhos.

DW: Desta vez, vocês fizeram quase tudo sozinhos. Tom é o produtor executivo. Ele também é autoritário?

Gustav Schäfer: Bem, essa é uma boa maneira de definir isso! Sim, poderíamos chamá-lo de autoritário.

Georg Listing: Não, não ele não é autoritário, mas sim um guru.
Bill: Não, ele não é, até certo ponto. Tom está no estúdio todos o dias. Ele realmente não faz nada além disso de manhã até noite. E desta forma, todos nós temos nossos papéis e nossas tarefas. Mas na maioria das vezes, nós realmente concordamos um com o outro.

DW: Qual foi o seu maior conflito quando chegou a hora de encontrar o som certo?

Bill: A coisa toda é uma espécie de jornada. Abandonamos a idéia de que uma guitarra deve estar sempre presente em todos os lugares, só porque somos uma banda. Quando tocamos ao vivo, por exemplo, Tom e Georg têm todas aquelas coisas como uma nave- completa com instrumentos, teclados e pedais – que lhes permitem fazer praticamente tudo. Hoje em dia, todo mundo faz tudo de qualquer maneira. Já não somos uma banda de rock antiquada, equipada com uma guitarra e um amplificador. Nosso som cresceu ao longo dos anos.

DW: Seu novo álbum soa melancólico. Mas olhando para seus vlogs (THTV) e fotos no nstagram, todos vocês parecem estar muito bem esses últimos meses. De onde vem a tristeza?

Bill: (rindo) bem, apesar disso, eu sempre tive uma sensação de tristeza ou melancolia sobre mim. Eu sempre fui assim. Eu também acho que sou um artista e cantor melhor quando não estou bem.
Tom: Isso se dá devido à maneira que nós escrevemos canções. Isso não sobre não amarmos a vida. É só que, em momentos felizes, não escrevemos nenhuma música. Quando você está realmente feliz, você não precisa desenvolver isso – você só está realmente feliz …

DW: Uma geração inteira dos seus fãs entrou em cursos de alemão; Todos queriam aprender alemão. Mas em seu último álbum, você quase disse adeus para escrever letras em alemão. E “Dream Machine” só contém uma única palavra alemã, e que é “tanzen” (dançar). Por que?

Bill: De alguma forma, o alemão desapareceu em algum momento. Nós começamos em uma fase inicial traduzindo nossos álbuns, e em algum momento, começamos a escrever apenas em inglês. Era muito difícil traduzir tudo para o alemão, e além disso, as traduções nem sempre funcionam.
Tom: Basicamente, nossa regra geral agora é não traduzir nada mais. Nós simplesmente dizemos: Quando escrevemos uma música em alemão, então a produziremos em alemão. E quando escrevemos uma música em inglês, então a produziremos em inglês.
Bill: Estávamos tão profundamente inspirados por Berlim que uma única palavra alemã surge na música “Boy Don’t Cry”. Eu apenas deixei isso assim, porque soava incrível.

DW: Tom e Bill viveram em Los Angeles por mais de seis anos, enquanto Gustav e Georg voltaram para Magdeburgo. Essa distância não representou um problema para a produção do álbum?

Georg: Não. No início de 2016, passamos dois meses aqui em um estúdio em Berlim, colocando as bases para o álbum. Então eles voltaram para Los Angeles, onde continuaram a trabalhar nelas. No verão, Gustav e eu viajamos para Los Angeles. E então, finalmente, nós terminamos a produção em Berlim. Estamos sempre em contato uns com os outros trocando idéias.

DW: Tom e Bill, como vocês se sentem sendo estrangeiros nos EUA agora?

Bill: Para nós, isso é difícil com certeza, e é uma questão importante. Mas eu acho que aqui na Alemanha, com a AfD [Alternativa de extrema-direita do partido político da Alemanha] e assim por diante, as coisas são bastante semelhantes. É mais um problema global. A diferença é que nos EUA, já é realidade. Mas você também deve considerar que LA é especial, porque ninguém lá votou em Trump. É por isso que todos ficaram chocados ali.
Tom: Vamos voltar para os EUA e lutar pela independência da Califórnia.
Bill: Exatamente. Mas é claro, primeiro temos de ver se vamos conseguir um visto. Se não conseguirmos um, então estaremos de volta na Alemanha (rindo). Bem, eu não sei o quão fácil tudo isso será para nós no futuro.

DW: Outros músicos estão claramente expressando seu protesto. O DJ alemão Zedd, que também mora em Los Angeles, anunciou um show de arrecadação de fundos para o dia 3 de abril, semelhante ao que artistas norte-americanos como Macklemore e Imagine Dragons fizeram em apoio à organização sem fins lucrativos “American Civil Liberties Union”. Isso também interessa a vocês?

Bill: Eu acredito que é importante não apenas fugir do confronto. Para mim, não há nada lá que me obrigaria a deixar o país imediatamente. Eu simplesmente acredito que agora é o momento de expressar suas opiniões. Acho que esses festivais são ótimos. Logo após a eleição, fomos para as ruas de Los Angeles e demonstramos.

DW: Canções de protesto estão mais uma vez se tornando moda na era de Donald Trump. Esses tipos de canções seriam discutíveis para Tokio Hotel?

Georg: Uma grande canção política? Eu não tenho tanta certeza. Mas, ainda temos nossas opiniões sobre questões políticas.
Tom: Bem, expressar algo com a nossa música de uma forma tão concreta, realmente não é o nosso estilo. Mas é claro que temos a sensação de que tomamos uma posição para algo com nossas letras e nossos vídeos também. Bill se sentiu pessoalmente atacado quando Trump foi eleito. Ele ficou ofendendo as pessoas por duas semanas.
Bill: Sim, como artista, é um golpe real, e isso dói. Mas acredito que todos se sentem assim. Quando você escreve músicas sobre coisas em que acredita e que deseja transmitir, e depois, chegam alguns políticos que fazem exatamente o oposto e acabam sendo eleitos, você provavelmente tornará isso pessoal. Eu acho que a política é uma coisa pessoal, e todo mundo tem direito à sua própria opinião.

Fonte.
Texto traduzido por Vivi. Se copiar, dê os devidos créditos ao THBR e à tradutora.

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