Tokio Hotel com até agora 7 milhões de cópias vendidas é o maior sucesso comercial entre as bandas alemãs. Depois de sair da gravadora Universal, a banda está agora sob contrato da ProSiebenSat Entertainment Starwatch. Além do vocalista Bill Kaulitz, o multi instrumentista Tom Kaulitz, o baterista Gustav Schäfer e o baixista Georg Listing fazem parte do Tokio Hotel.

ATRAVÉS DAS MONÇÕES – e volta ao início!
Tokio Hotel volta após quase 3 anos de hiato nessa primavera com o álbum completamente renovado. Encontrei os quatro músicos puro-sangue na revista “Beat” durante uma entrevista extremamente relaxante, esclarecida e aberta sobre a produção do álbum “Dream Machine” que foi gravado em Los Angeles e em Berlim.

Sério, Google? Olho para meu Smartphone desconfiado das direções em “mapas”. Ele diz que devo ir por estradas de terra. E claro que esta chovendo muito. “Devo atravessar as monções”.
Fato: ao fim dos caminhos enlameados de uma velha área industrial me espera, bem longe de Berlim. E o estúdio está localizado em um grande espaço, onde é oferecido aluguel de equipamentos e várias salas de ensaio e sala para a entrevista.

Um ambiente bem sucedido para um novo começo. O que era urgentemente necessário no caso de Tokio Hotel. O álbum de 2014 “Kings of Suburbia” não chegou ao estrondoso sucesso do antecessor, não era para ser uma linha musical clara e não se encaixava na realidade de uma banda madura, que fugiu do contrato anterior com a gravadora.

 

Mais uma vez Tokio Hotel iria ficar com o entusiasmo fugaz de uma geração de adolescentes subindo ao trigésimo ano de vida, e isso apareceu mais do que incerto.

Enquanto isso Bill e Tom Kaulitz, Georg Listing e Gustav Schafer estão livres do alcance de seu antigo rótulo, antigos produtores e antigos consultores de música. Ficaram firmes em seus próprios pés e apresentaram um álbum no início de março, o “Dream Machine”, o que até então dificilmente qualquer um dos quatro músicos teria esperado. A estridente parte adolescente rockeira de tempos passados dá espaço a um ambiente pop eletrônico. O som imediatamente cola na orelha e é difícil de deixar os pensamentos escaparem novamente. Há o risco, claro. Mas também uma satisfação interna profunda para uma banda que está pronta para o próximo capítulo, fora do caminho anterior. Não há mais o que dizer.

Entrevistador: Vocês já começaram 2016 trabalhando com “Dream Machine”. Quanto tempo demorou a produção?
Bill: Em janeiro de 2016 nós começamos a trabalhar no “Dream Machine”, no estúdio da Red Bull em Berlim. Tom, na verdade, já produzia no seu próprio estúdio, e então nos encontramos para ouvir suas demos e ideias. Nós ouvimos também as músicas de outros artistas. Neste meio criativo imediatamente resultou as primeiras cinco peças do quebra-cabeça.
Entrevistador: O que aconteceu lá?
Bill: Tom levou as ideias para Los Angeles, continuou em nossos estúdios e gravou mais músicas. Que foi na verdade prolongado ao longo do ano passado. Os toques finais fizemos aqui em Berlim.
Entrevistador: É primavera de 2017 agora. Você continua gostando das músicas e gosta de tocá-las mesmo sendo de quase um ano atrás agora?
Tom: Completamente! Nós ainda gostamos das músicas. É um bom sinal quando ouvimos a música após algum tempo e continuamos gostando dela, significa que é hora de publicá-las.
Bill: Na verdade “Boy don’t cry” foi uma canção que todos tínhamos perdido um pouco o gosto por ela. Essa foi uma canção que nós gravamos em Berlim. E é a canção que todo mundo quer ouvir agora (risos).

À Procura de um Som
Entrevistador: O som do álbum é muito coerente. Como foi fazer isso durante um ano de trabalho?
Tom: especialmente depois do nosso último álbum “Kings of Suburbia”, no qual nosso objetivo era encontrar o som no qual estamos tocando agora. Isto tem sido ao mesmo tempo um pouco preocupante para nós.
Bill: Na verdade, as pessoas têm recentemente pedido o “som típico do Tokio Hotel”. Isso é difícil de responder.
Tom: Portanto decidimos nos preocupar com nós mesmos. A grande diferença dos álbuns anteriores de todos os álbuns anteriores é que fizemos tudo sobre uma “assinatura sonora”, então era criado automaticamente. Quem está trabalhando em um álbum, tanto tempo, deve ter o gosto musical bastante consistente durante todo o tempo.
Entrevistador: Tom e Bill, vocês tem um gosto muito semelhante. O que ouviram os inspirou na escrita e também na produção. E o que vocês escutam agora?
Bill: Chvrches! Vimos a banda no ano passado no Coachella Festival, e foi incrível!
Tom: As músicas são incríveis assim como as produções.
Bill: Eu gostaria de ouvir novamente.
Tom: E eu amo os Banks – são muito bem produzidos e bonitos, seus sons e melodias.
Bill: Chet Faker aka Nick Murphy eu acho que é bom. Já ouvi bandas como Depeche Mode, por exemplo, que também deve ser adicionada.
Entrevistador: Como é a colaboração entre vocês no novo álbum detalhadamente?
Tom: Bill e eu escrevemos as canções, principalmente juntos. Eu mesmo as produzi. Duas vezes no ano alugamos um estúdio maior para fazer a gravação – por exemplo para colocar o baixo e a bateria. Nós também usamos o tempo no estúdio para a amostragem.
Entrevistador: Que tipo de amostragem?
Tom: Nós ensaiamos muito as novas músicas com a bateria real de Gustav. No entanto, essas partes na maioria dos casos não foram para o álbum. Nós temos amostras de Gustav completas e o computador foi usado para fazer loops, por exemplo.
Entrevistador: Como é que você começa uma música?
Tom: Trazemos as demos para o estúdio, onde quase 80% de baixo e bateria estão incluídos. Georg e Gustav então tocam novamente no estúdio com base nisso.
Bill: O “problema” é que as demos de Tom são produzidas completamente fora. Ele é apenas um detalhe bonito. Muitas vezes há pouco espaço para experimentação.
Georg: Tom tem normalmente uma ideia clara de como uma música deve soar quando ele entra no estúdio.
Tom: No entanto, as peças estão longe de ser perfeitas na minha opinião. Às vezes eu trago apenas sons, 8 compassos. E desenvolvemos o resto da música e vocais.
Entrevistador: Gustav, como é o Tom como um baterista virtual?
Gustav: Ele faz isso muito bem (risos). Em relação a isso ele é muito afeiçoado em detalhes. Em algumas horas ele pode aperfeiçoar cada detalhe.
Tom: Usamos quaisquer bibliotecas de amostra terminadas. Todos os tambores a serem ouvidos no novo álbum foram criados de baixo para cima.

Batalha de Egos
Entrevistador: Quando vocês escreveram as canções de “Dream Machine” o que te deu confiança para fazer tudo de A a Z?
Bill: Nós já tínhamos tentado ser de certa forma mais autônomos na produção de “Kings of Suburbia” – algumas das canções nós escrevemos e produzimos completamente. Isso nos deu mais confiança. Haviam muitos compositores envolvidos. Era estressante! Tivemos que aceitar porque compositores americanos têm um ego enorme. Alguns vinham até o estúdio com seus agentes porque queriam vomitar suas canções para nós.
Tom: esse “Schreibertum” é realmente muito ruim!
Bill: Nos Estados Unidos alguns compositores são suas próprias estrelas. Lá o negócio é saber quem fica com com os direitos. Quando a música está pronta, claro, querem a mistura. Todos estouram-se de ego.
Entrevistador: Como você sai dessa situação?
Bill: Nós ficamos presos em um determinado andaime durante nosso último álbum. Era uma coisa nova, estivemos dez anos sobre o contrato dos mesmos produtores. Nós ficamos muito muito tempo presos dentro desse mesmo esqueleto até conseguirmos mudar. Na produção de “Dream Machine” já não nos preocupávamos tanto com isso. Assinamos com uma nova gravadora e montamos nossa própria equipe.
Entrevistador: Imagino que é difícil deixar a opinião sobre as canções e sobre sua própria imagem para si mesmo.
Bill: Sim, acima de tudo, porque sempre trabalhamos com alguém desde os 12 ou 13 anos. Existia uma jornada atrás de todos os envolvidos. Mas desde a última produção começamos a construir nosso próprio estúdio, no qual podemos mudar sem que alguém mande em nós.
Entrevistador: Isto deve ser um alívio enorme.
Tom: Principalmente porque eu amo trabalhar no estúdio.
Entrevistador: Mais do que tocar ao vivo?
Tom: Claro que gosto de tocar ao vivo. São mundos completamente diferentes. Mas se eu tivesse que escolher, gostaria mais do estúdio. Gosto muito dos dias e semanas sozinho. O ciclo é ideal para então produzir um ano de turnê.
Entrevistador: “Dream Machine” soa como a trilha sonora de um filme que se passa perante uma audiência que tem olhos na mente.
Tom: Nossas músicas são geralmente inspiradas em filmes. Nós acreditamos fortemente em imagens e cenas.
Bill: Também temos uma afinidade muito forte com ficção científica.
Entrevistador: A capa é uma reminiscência de uma ficção científica dramática da década de 1980. Uma associação consciente?
Bill: Penso em “E.T” quando vejo a capa. Vejo até mesmo a floresta dessa forma. Está realmente faltando só uma bicicleta com uma cesta nela (risos).
Tom: “Dream Machine” carrega uma certa sensação retrô, não só em instrumentação. Para nós foi sim um caminho de volta para as raízes porque fizemos tudo sozinhos como no início.
Entrevistador: Como vocês imaginaram isso anteriormente?
Bill: Com produtor, compositor e vários outro sentados ao nosso redor. Às vezes haviam dez pessoas ao nosso redor.
Tom: Foram adicionadas as pessoas principais. Que não entenderam nada do que falamos e tivemos que fazer tudo de novo corretamente.

Ruído de equipamentos no estúdio
Entrevistador: Os sintetizadores são as coisa principais usadas no álbum?
Tom: “Dream Machine” tem muita coisa para ouvir – hardware e software. Também tem o plug-in que é muito usado, especialmente com arpejos. Eu uso o NI Komplete Stories quase sempre para pianos. O plug-in para o baixo é o renascimento de uma onda incrível de baixos. Muitas vezes usamos também o Helios 69 na placa UAD-2.
Entrevistador: Você conta com seu próprio equipamento ou você usa o equipamento do estúdio?
Tom: Geralmente as coisas nos pertencem, mas existem exceções. Gravamos o Minimoog no estúdio da Red Bull porque estávamos por perto. Gravamos o vocoder no estúdio de Los Angeles – que era uma parte antiga de Roland. Porque eu não acho simplesmente nenhum software de vocoder sensato. As guitarras são usadas muito seletivamente.
Entrevistador: As guitarras são usadas mais seletivamente com arpejos mais rápidos.
Tom: Nós usamos a guitarra quase como um dispositivo stylistic, para que soem como laços de amostras.
Entrevistador: A última canção “Stop Babe” foi como algo por fora com o pertencimento de guitarra. À propósito, acho que é o verdadeiro destaque do álbum. Apesar de que achei estranho pela primeira vez.
Bill: Concordo, essa música trouxe primeiramente um feliz sentimento. Foi muito amigável comigo. “Stop, Babe” foi uma das últimas canções que gravamos em Los Angeles, antes de voarmos para a Alemanha. É uma das minhas músicas favoritas por conta da emoção.
Entrevistador: Você tem dicas de como combinar sintetizadores, guitarras e bateria para a gravação?
Tom: Na gravação em si, o mais crítico é em relação ao bumbo e ao baixo. Não há nenhuma forma padrão que possa ser sempre aplicada, porque esta interação varia de canção para canção. R-bass e Helios são ambos imensos e razoáveis na criação e sintetização entre o baixo e a bateria. Para mim essa é a base de uma boa produção. No entanto, a minha dica real é começar com composição e não com produção. No final, eu tinha um bom som mas a música em si era um lixo. E isso é chato porque o som é queimado imediatamente. Então é bom trabalhar com algo que é razoavelmente bom para depois fazer o som.
Entrevistador: Vocês parecem ser muito metódicos.
Tom: Não é bem assim, há certos dias que queremos fazer as coisas do nosso jeito e tem dias que queremos misturar. Muitas vezes misturar no processo de produção. Quando estou prestes de tocar a guitarra, eu sempre vejo o que está faltando – se está tudo completo ou se algo deve ser adicionado. Em parte, o que normalmente precisamos é misturar mais. E isso é muito importante na produção e já durante a composição.

A Turnê Começa em Maio
Entrevistador: Vocês tiveram que colocar o som do álbum no show ao vivo. Como foi isso?
Bill: com sete computador portátil (todos riem) Precisamos de um computador separado exclusivamente para o processo vocal.
Georg: Nosso quarto ensaio pareceu uma estação espacial.
Bill: Nós tiramos o típico estouro de banda no palco. Nós simplesmente já não podíamos transmitir o som do álbum com guitarra, baixo e bateria. Tom e Georg estavam no controle de tipo uma missão.
Entrevistador: O que você usa no palco?
Tom: Primeiro um controlador MIDI, com o qual nós controlados o MainStage 3 da Apple. Usamos muitos dos sons do álbum como amostras.
Bill: também temos nosso processamento vocal, o qual fazemos completamente ao vivo.
Tom: Cada plug-in é automatizado. Todos os efeitos do álbum foram também experimentados para estarem ao vivo no palco. Nós usamos vários amplificadores Kemper para os efeitos de guitarra.
Entrevistador: Como vocês dividem os instrumentos entre vocês, no palco?
Tom: Georg e eu tocamos teclado e vamos para frente e para trás entre os sintetizadores de guitarra, baixo e percussão. Pode acontecer que eu toque três ou quatro instrumentos diferentes dentro de uma faixa.
Entrevistador: E quanto a bateria?
Gustav: Toco bateria ao vivo. É um kit SBS-X-E completo. O que vem junto, em parte, são 16 amostras por canção.
Entrevistador: Foi difícil colocar o som maciço de “Dream Machine” compatível ao som ao vivo?
Bill: Não encontraria nada pior, como se o teatro e o nível do álbum não combinassem. Queríamos que fosse direito e soasse bem.
Entrevistador: Que sistema sequenciador usam ao vivo?
Tom: Ablenton Live é o que lida com o show principal, lida com a automação e envia os sinais de MIDI. E, como eu disse, o MaisStage é responsável pelos teclados e processo vocal.
Entrevistador: Você usa provavelmente o Macbook Pro, certo?
Bill: Eu tenho o mais novo. Honestamente, eu uso apenas para as conclusões do meu e-mails (risos).
Tom: No estúdio eu tenho um MacBook Pro relativamente absoleto, porque eu tenho trabalhado por muitos anos com Windows 7 e tive que usar a versão do Mac OS X, que é o que suporta. Na estrada eu uso Windows X mas também usamos Pro Tools.
Entrevistador: E suas músicas antigas na turnê? Vocês criaram uma nova versão de alguma música?
Bill: Com certeza, as pessoas ao redor do mundo conhecem “Monsoon” e não escutam sobre uma versão de 30 minutos do mesmo. Por outro lado, a canção está lá para nos lembrar do nosso som atual. É como um equilíbrio.

Fonte.
Texto traduzido por Carol. Se copiar, dê os devidos créditos ao THBR e à tradutora.

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